terça-feira, 17 de novembro de 2009

Nós Por Cá!


Estupefacto foi como fiquei no dia em que recebi uma autuação com a descrição sumária de estacionamento a menos de 25M antes (ou 5 depois) de sinal indicativo de paragem de veículos de transporte colectivo de passageiros que não transitam sobre carris, isto na Rua dos Mercadores em Ponta Delgada. Porque em toda a sua extensão não existe e nunca existiu nenhuma paragem de mini bus ou praça de táxis e muito menos uma paragem de autocarros. Visto a situação o meu procedimento foi enviar uma carta de reclamação á Direcção Regional dos Equipamentos e Transportes Terrestres (DRETT) a fim de expôr a situação.
Mais supreendido fiquei ainda quando fui notificado da decisão da minha reclamação que além da multa de estacionamento que teria de pagar acrescia-se ainda as custas. Decidi então dirigir-me pessoalmente á DRETT, e confrontar as entidades competentes a investigarem a dada situação onde iriam concluir que realmente na Rua dos Mercadores em Ponta Delgada não existe nem nunca existiu nenhuma paragem de autocarros.
Foi então me disseram que realmente não fazia sentido esta multa, mas que teria de fundamentar a minha reclamação com uma declaração da Câmara Municipal de Ponta Delgada a dizer isso mesmo.Foi então que confrontei o responsável pela decisão se este era conterrâneo, o qual me respondeu que sim, e que realmente não se lembra de existir naquela rua a tal paragem.
Resta-me solicitar a quem de direito que toma esse tipo de decisões se digne a ser prático, e que não faça os cidadãos perderem o seu tempo, que nos dias que correm é precioso, com pedidos formais a entidades a comprovarem uma coisa que todos nós sabemos, ou seja, que esta sempre foi uma via de sentido único e que em toda a sua extensão se praticava o estacionamento pago, nunca existindo sequer uma praça de táxis, visto que depois das obras de remodelação nesta mesma rua passou a ser proibido parar e estacionar.
Não quero estar no entanto a por em causa a boa fé de ninguém, mas chego á conclusão que esta autuação foi e é um grave lapso da parte do agente de trânsito, agravada pelos juristas do Serviço Coordenador de Estradas.
A lei deve determinar os casos em que uma contra-ordenação pode ser imputada independentemente do carácter censurável do facto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O que se Sente não se Consegue Dizer

O que habitualmente se sofre (se sente) não se pode contar. Não é só porque isso é normalmente ridículo (porque a grande maior parte do que se pensa e sente é ridículo) e só o que é grande é que cai bem e vale portanto a pena dizer-se. É que o dizer-se altera o que se diz. O sentir é irredutível ao dizer. Só o estar sofrendo diz o sofrer. Na palavra ninguém o reconhece ou reconhece-o de outra maneira, essa maneira em que já o não reconhece o que o conta. Mas dizia eu que a generalidade do que se pensa, sente, é ridícula. São raros os momentos de «elevação». A quase totalidade do tempo passamo-la distraídos, alheados em ideias sem interesse, nascidas de coisas sem interesse, as coisas que vai havendo à nossa volta ou no nosso divagar imaginativo ou que nem sequer chega a haver porque há só a abstracção total no quedarmo-nos pregados às coisas que nem vemos nem nos despertam ideia alguma e estão ali apenas como ponto de fixação do nosso absoluto vazio interior.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Cigarettes And Chocolate Milk"



RUFUS WAINWRIGHT


Cigarettes and chocolate milk

Cigarros e leite com chocolate

These are just a couple of my cravings

Esta é uma dupla que faz parte dos meus desejos

Everything it seems I like's a little bit stronger, a little bit thicker, a little bit harmful for me

Parece que eu gosto de tudo um pouco mais forte Um pouco mais exagerado Um pouco nocivo para mim


If I should buy jellybeans

Se eu tivesse que comprar gomas de mascar

Have to eat them all in just one sitting

Teria que comê-las todas de uma vez

Everything it seems I like's a little bit sweeter

Parece que eu gosto de tudo um pouco mais doce

A little bit fatter, a little bit harmful for me.

Um pouco mais gorduroso um pouco nocivo para mim


And then there's those other things

E aí há aquelas outras coisas

Which for several reasons we won't mention.

Que por várias razões não vou mencionar

Everything abou t'em is a little bit stranger, a little bit harder

Tudo sobre elas é um pouco mais estranho Um pouco mais difícil

A little bit deadly

Um pouco letal


It isn't very smart

Isso não é muito esperto

Tends to make one part

Tende a deixar uma das partes

So brokenhearted

bem magoada


Sitting here remembering me

Sentado aqui recordo de mim

Always been a shoe made for the city.

Sempre mais adaptado à cidade

Go ahead accuse me of just singing about places

Vá em frente, acusas-me de apenas cantar sobre lugares

With scrappy boys faces have geveral run of the town.

Com rostos de rapazes briguentos Que há geralmente na cidade


Playing with prodigal sons

Para brincar com filhos pródigos

Takes a lot of sentimental valiums

É necessário uma porção de pesados calmantes sentimentais

Can't expect the world to be your Raggedy Andy

Tu não podes esperar que o mundo seja a tua boneca de pano

While running on empty you little old doll with a frown

Enquanto prossegues esvaziando-a Com mau humor


You got to keep in the game

Tu tens que te manter no jogo

Retaining mystique while facing forward

Mantendo o mistério enquanto olhas adiante

I suggest a reading of A Lesson in Tightropes'

Sugiro a leitura de "Como viver na corda bamba"

Or Surfing Your High Hopes or Adios Kansas.

Ou "Surfando altas ondas" ou "Adios Kansas"


It isn't very smart

Isso não é muito esperto

Tends to make one part

Tende a deixar uma das partes

So brokenhearted

bem magoada


Still there's not a show on my back

Ainda que não eu não tenha nenhum apoio

Holes or a friendly intervention

Subterfúgios ou intercessão de amigos

I'm just a little bit heirless, a little bit Irish

Eu sou um pouco sucessor, um pouco irlandês

A little bit Tower of Pisa

Um pouco Torre de Pisa,

Whenever I see ya

onde quer que eu te veja

So please be kind if I'm a mess

Então, por favor, seja compreensivo se eu me atrapalhar


Cigarettes and chocolate milk

Cigarros e leite com chocolate

Cigarettes and chocolate milk

Cigarros e leite com chocolate

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Imoralidade da Moral

A discórdia é sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa própria vida é o que há de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossa próprias considerações morais sobre a vida dos outros, mas estas não nos dizem respeito. Para além disso o individualismo é realmente o mais elevado dos ideiais. A moralidade moderna consiste na aceitação dos modelos da nossa época. Julgo que aceitar o modelo da nossa época será, para qualquer homem culto, a mais crassa das imoralidades.


Oscar Wilde, in "ORetrato de Dorian Gray."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Nosso Sorriso é a Nossa Vitória

No fim do amor, no fim do dinheiro, no fim da derrota profissional ou pessoal, tudo o que nos resta é chorar, ou sorrir!
Um sorriso honesto desarma o inimigo, leva um ex-amigo a pensar duas vezes, se realmente tomou a melhor opção quando deixou fugir alguém tão positivo…
Curiosamente, o sorriso de uma pessoa, que é uma das coisas mais bonitas que alguém pode dar e receber, muitas vezes provoca tanta irritação, inveja até ciúmes, em pessoas que ainda não se resolveram e se debatem interiormente para vencerem os seus próprios fantasmas!
As pessoas tristes sentem-se incomodadas com alegria dos outros, mas muitas vezes, nem é por terem alguma coisa contra nós, é mesmo porque ninguém pode dar o que não tem!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ataques de Ciumeira

Afinal de contas, o que representam os ciúmes? Será que é falta de confiança no outro, em si próprio, ou será que é mesmo sinal de amor? Uma coisa é certa, não há relação onde não apareçam e se assim é, é mau sinal! E digo isto porque acho a maior das hipocrisias, as pessoas mostrarem-se muito ofendidas, quando reparam que o seu companheiro ou companheira, está com ciúmes!
A verdade, é que se não forem daqueles ciúmes doentios e obcecados, até nos enchem o ego. Obviamente que para tudo há conta certa, com peso e medida. Mas mais incrível ainda, é quando a pessoa enciumada, não admite que está! ” Eeeuuu? Ciúmes de ti?”, não acham extraordinário?
Porque é que é tão socialmente inaceitável e incorrecto admitirem-se os ciúmes? Todos sentem e o que todos estranham é a indiferença! Talvez os ciúmes sejam um pouco de tudo, insegurança, porque no fundo todos achamos que de alguma forma não somos insubstituíveis, (só mesmo para a nossa mãezinha!), um pouco de falta de confiança, afinal hoje em dia, é melhor não meter as mãos no fogo por ninguém, mas acima de tudo, amor, porque nunca vi ninguém com ciúmes de quem não gosta! Isso é inveja, mas a inveja fica para outro dia.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Viver em Negação!!!


Viver em negação é sem dúvida um dos geradores mais eficazes para desenvolver os argumentos mais criativos, absurdos e para quem tiver sentido de humor, até podem ser bastante divertidos! Talvez esta seja a única perspectiva alegre de olhar para a construção de enredos que sustentam as ilusões de vidas que insistem em não interiorizar a nudez da realidade.
Temos o caso daquelas pessoas que insistem que estão de regime alimentar, são capazes de afirmar convictamente que só almoçaram um peixinho grelhado… minutos depois lá deixam escapar que também acompanharam o peixinho com umas “batatinhas”, uns brócolos, um fiozinho de azeite, só um copo de vinho e um donuts light para sobremesa!!!
Com um almoço tão saudável, não faz mal nenhum lanchar uma cola light, 3 torradas integrais com geleia light e um “quadradinho” de chocolate para diabéticos!
Ao jantar vai uma, não duas fatias de pizza vegetariana e uma batido de chocolate para emagrecer!!! Ao deitar besuntam-se no creme adelgaçante que custou uma fortuna na esperança que resulte…
Os “rejeitados” por exemplo, insistem em viver na ilusão de que um dia, (nem que seja perto da hora da morte), aquela pessoa que os abandonou lhes vai pedir perdão e explicar porque é que lhes causou tanta mágoa e angústia!
Em princípio isso nunca vai acontecer, porque muitas vezes as pessoas nem se dão conta do quanto nos ferem, (também não têm que adivinhar os nossos traumas) e quando nos ferem propositadamente é porque são do género azedo, logo nunca hão-de admitir o que quer que seja!
Outras até enveredam pelo esoterismo ou simpatias para “amarrarem” a pessoa “querida”! Porquê “querida” se causou tanta mágoa? Que gozo pode sentir quem vive o resto da vida a pensar que aquela pessoa está ali por causa de um qualquer feitiço e não por causa do amor e respeito que sente por si? Nunca vai saber, nunca vai respirar de alívio, enquanto não largar o “conto de fadas”, “os príncipes e as donzelas” com finais arrebatadores…
Dentro de nós existe toda a força que necessitamos para enfrentar a realidade, seleccionar as companhias e aceitar um “engano”. Amarrado está quem pensa que amarra, por ainda não ter percebido que a sua vida é suficientemente valiosa para ser apreciada por alguém.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Perdoar! O que é isso?


As pessoas não perdoam por acharem que ao perdoarem, estão a aliviar a carga de quem as feriu, mas na verdade, o perdão não é um favor que se faz ao outro, mas sim a si próprio! O ódio e a raiva, são focos emocionais que fazem com que a pessoa viva emocionalmente em função dos alvos da sua angústia.
Curiosamente, pessoas que não perdoam, tendem a tornar-se iguais ou piores que aqueles que as magoaram, (até por causa dos sentimentos de vingança que muitas vezes passam a actos de vingança), quando o que se pretende é a libertação dessa situação, dessa tal pessoa ou pessoas e desses episódios marcantes do passado. Perdoar é um acto de libertação e não uma crise de amnésia.
Nós nunca nos vamos esquecer do passado mais marcante porque temos uma memória, mas podemos através do perdão conseguir lembrar essas imagens, ou essas pessoas, como se tudo isso tivesse acontecido na vida de alguém que não na nossa, ou seja, sem dor! É que independentemente do nosso perdão, os outros seguem com a vida deles e nós é que ficamos mal com a nossa amargura! Muitos problemas de foro nervoso e cardíaco, surgem justamente por causa da falta de perdão!
Perdoar não é voltar a ser muito amiguinho de quem não nos fez bem, nem tão pouco um acto de fraqueza, mas é um passo emocional, um decisão individual de libertar de dentro do nosso ser a carga que nos oprime! E sim, sabemos que não é fácil.

Ano Novo-Vida Nova


Agora que estou em 2009 volto a desencadear toda uma série de desejos e anseios para este ano novinho em folha.

Os problemas do passado devem lá ficar e se ainda estamos amarrados às desgraças de outrora, é porque as transformámos em desculpas para não agirmos. Existe um certo conforto, muitas vezes inconsciente, em manter o sofrimento do passado e alimentá-lo como quem alimenta e cria um animal de estimação. Ser a vítima e digerir diariamente o sentimento de pena, acaba por ser mais confortável do que rasgar essas páginas e tomar as rédeas dos nossos dias. Nós não somos os nossos problemas e nem sequer somos os nossos erros! Somos mais além…
Que no final de 2008 deixemos enterradas essas memórias, assumir as responsabilidades da nossa culpa, cortar essas amarras, entregá-las a Deus e deixar brilhar a criatividade que há em nós, porque não há limites para o que pode acontecer quando alguém se torna verdadeiramente livre!