segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pirilampos



Tu não acreditarias nos teus olhos
Se dez milhões de pirilampos
Iluminassem o mundo
Enquanto eu adormecia


Porque eles enchem o ar livre
E deixam lágrimas em toda parte
Tu vais pensar que eu sou rude
Mas eu apenas ficaria de pé e observaria


Eu gostava de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando eu estou dormir
Porque tudo nunca é como parece ser


Porque eu aceitava um milhão de abraços
De dez milhões de pirilampos
Enquanto eles tentassem ensinar me dançar


Um fox trot que não me sai da cabeça
Outros dançam sock hop debaixo da minha cama
Uma bola de discoteca suspensa apenas por um fio


Eu gostaria de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando estou a dormir
Porque tudo nunca é como parece ser
(quando eu adormeço)


Deixo a minha porta entre aberta
(Por favor leva me para longe daqui)
Porque eu estou com insónias
(Por favor leva me para longe daqui)
Porque eu estou cansado de contar carneiros
(Por favor leva me para longe daqui)
Quando estou muito cansado para adormecer


Dez milhões de pirilampos
Estou estranho porque eu odeio despedidas
Eu fiquei com os olhos húmidos
Quando eles disseram adeus
(Adeus)
Mas eu vou saber onde existem vários
Se os meus sonhos se tornarem realmente bizarros
Porque eu iria salvar alguns
E os guardaria em um pote


Eu gostava de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando estou a dormir
Porque tudo nunca é como parece ser
(quando eu adormeço)


Eu gostava de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando estou a dormir
Porque tudo nunca é como parece ser
(Quando eu adormeço)


Eu gostava de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando estou a dormir
Porque parece que os meus sonhos estão explodindo

Tradução de André Vicente do Original Fireflies de OWL City, composição de Adam Young

Fireflies

You would not believe your eyes
If ten-million fireflies
Lit up the world
As I fell asleep


Cause they fill the open air
And leave teardrops everywhere
Youd think me rude
But I would just stand and stare


I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep
Cause everything is never as it seems


Cause I'd get a thousand hugs
From ten-thousand lightning bugs
As they try to teach me how to dance


A fox trot above my head
A sock hop beneath my bed
A disco ball is just hanging by a thread

I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep
Cause everything is never as it seems
(When I fall asleep)


Leave my door open just a crack
(Please take me away from here)
Cause I feel like such an insomniac
(Please take me away from here)
Why do I tire of counting sheep
(Please take me away from here)
When I'm far too tired to fall asleep


To ten-million fireflies
I'm weird cause I hate goodbyes
I got misty eyes
As they said farewell
(Farewell)
But I'll know where several are
If my dreams get real bizarre
Cause I'd save a few
And I'd keep them in a jar


I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep
Cause everything is never as it seems
(When I fall asleep)


I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep
Cause everything is never as it seems
(When I fall asleep)


I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep
Because my dreams are bursting at the seems

quarta-feira, 14 de julho de 2010

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.

Vinícius de Moraes

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

Ser Diferente

A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.

Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'